quinta-feira, 7 de julho de 2016

NÃO ATOCHA

Seja transitivo ou bitransitivo, as pessoas estão polemizando sob a tal passagem da tocha olímpica pelas ruas do Brasil. Mas como sou mais intransitivo, também acho piada que tal evento aconteça neste país tupiniquim. Não só por não termos a capacidade estrutural, mas também por não termos a mínima envergadura moral para receber o evento mais importante da história da humanidade. Será que os habitantes da terra brasilis sabem da importância do evento para a quebra de conceitos e preconceitos? Será que sabem o que significa o evento para os atletas que preparam-se uma vida inteira para chegar ao ápice de suas carreiras? Será que sabem a importância do contexto histórico das olimpíadas? Será que sabem o que significa para a moral de um país? Não! Não estão avaliando o evento em si, mas analisando pela óptica demagógica da politica podre implantada neste paiséco antes mesmo de seu descobrimento. Em 1936 o atleta negro americano, Jesse Owens, literalmente esfregou as medalhas conquistadas nas provas mais importantes das olimpíadas, na cara do próprio Adolf Hitler e de toda sociedade racista do mundo. Neste mesmo ano foi criado este revezamento da tocha olímpica que percorre as ruas do país, o qual significa a união dos povos, igualdade da humanidade, a superação dos limites, provando que ninguém é melhor que ninguém, que podemos vencer num dia e poder no outro, mas nunca desistir de nossos sonhos e desejos.
Como não lembrar do esforço de Gabriele Andersen que chegou quase se arratando a linha de chegada em 1984, como não emocionar-se com a lágrima do ursinho Misha que em 1980 quase previu o fim da utopia socialista e a queda do regime autoritário da extinta União Soviética. Como não lembrar de Cassius Marcellus Clay Jr. (Muhammad Ali), João do Pulo, e da maravilhosa Nadia Comăneci, que superou o todas as barreiras sexuais, sociais e existenciais que fora subjugada durante sua vida. É meus amigos, a tocha significa é muito mais que um símbolo qualquer, ela significa a auto estima de povos ultrajados, tais como Cuba, Gana, Sri Lanka, Uganda, Bangladesh, que de certa forma conseguem superar suas pobrezas extremas e vem lutar contra as grandes potências conquistadoras como Inglaterra, Alemanha, EUA, etc.
A própria criação da Chama Crioula Gaúcha em 1937 foi inspirada na tocha olímpica, pois ela tem o intuito de unificar o povo em volta de um propósito, que no caso era de fortificar a cultura do Rio Grande do Sul que enfrentava o grande desafio de contrapor o fim dos regionalismos do estado novo de Getúlio Vargas. História esta que inclusive apresentei as secretarias da cultura e turismo do estado, o qual, por tal sugestão, conseguiram incluir que os tradicionalistas do MTG sejam condutores da tocha no dia de hoje em Porto Alegre. Sugeri mais. Sugeri que o próprio Paixão Cortes tirasse uma centelha da chama e mescla-se com o fogo Simbólico da Pátria e nossa Chama Crioula. Sei que não vou entrar pra história por ter sugerido a inclusão do tradicionalismo no revesamento, mas tenho certeza absoluta que o símbolo olímpico da vitória sob as adversidades irá vencer mais uma vez os conceitos e preconceitos, e nunca mais entraremos em períodos nebulosos como foram as grandes guerras mundiais, e muitos Jesse Owens esfregarão suas medalhas na cara de malditos tiranos. Que o Brasil definitivamente lave suas calçadas sujas e sangrentas, avançando para uma cultura de paz, amor e desenvolvimento sustentável. Viva o espírito olímpico e que vençam os melhores.

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