quarta-feira, 22 de junho de 2016

TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS - TOLERÂNCIA ZERO

Há muitos anos critico a Prefeitura de Porto Alegre e o DMLU - Departamento Municipal de Limpeza Urbana de Porto Alegre por nunca terem proposto uma alternativa para acabar com o lixão crônico que surgiu na esquina da minha casa, mas há muitos anos mesmo, tanto que a foto cinza neste texto é de 2012. 
Pra vocês entenderem: certo dia um cidadão jogou uma bituca de cigarro pela janela do carro, ai caiu ali na calçada. Outro cidadão viu aquilo e pensou: ahh, se não da nada pra ele, vou largar este papelzinho aqui que não vai dar nada também, ai uma senhora na janela viu aquilo e foi la deixar uma sacolinha de lixo, ai passou um catador e largou dez sacos, e assim muita gente, num padrão repetitivo de comportamento, contaminou-se com a doença dos descaso e criaram chaga crônica nas ruas do meu bairro (lixão). 
A Prefeitura limpava todos os dias, mas todos os dias o lixão crescia ainda mais, chegando ao cúmulo de terem de vir dois ou três caminhões para recolher o que a retroescavadeira juntava. O custo de toda esta operação era enorme, já que alem dos veículos, combustíveis, funcionários, tinha todos problemas sociais que criavam-se no entorno.
como ficou
Um cara saia de casa todos os dias para ir ao trabalho e todos os dias passava por aquele lugar degradado, ficava muito triste e desestimulado, as vezes irritado, chegando ao ponto de xingar as pessoas que depositavam lixo ali. Um dia, chegando na esquina da rota do ônibus viu que as pessoas estavam com medo de chegar até a parada que ficava há uns vinte metros dali. Olhou para o trecho e viu que tinha muito lixo espalhado, bem como percebeu que alguns viciados mal encarados também haviam se instalado ali. O cara caminhou até o ponto entre os viciados e os cidadãos amedrontados, e num gesto involuntário, para quebrar o clima tenso, começou a chutar devagarinho alguns papeis espalhados no lugar. Aos poucos foi chutando outros, em seguida achou uma haste de metal que serviu para ir empurrando mais lixo, nisso um dos viciados levanta e vem em sua direção com uma telha na mão, pronto, o pavor sobe pela espinha, só que o viciado, sem falar nada, pega a telha e começa a ajudar a empurrar o lixo, ai os outros viciados levantam-se e começaram a ajudar também, nisso os moradores ficam admirados olhando aquela ação, e assim o cara e o viciado fizeram uma boa limpeza enquanto o ônibus não chegava. O cara e as pessoas pegaram o ônibus e foram para seus trabalhos. Na volta o cara desce do ônibus e para sua surpresa o lixo havia sido todo amontoado distante da parada pelos viciados. Muito feliz foi pra casa.
No outro dia, quando chega no mesmo lugar, as pessoas já estavam tranquilas na parada, mesmo com os viciados ainda por ali, pois os mesmos continuavam a manter o lugar limpo, repetindo a limpeza por vários dias. 
como era
Passando algum tempo desta catarse, um dia o cara sai de casa e ao passar no trajeto deteriorado, vê que a prefeitura está instalando pneus coloridos como se fossem vasos de folhagens, e para sua surpresa, os então cidadãos doentes param de colocar lixo no local. Os mesmos vizinhos que estavam com suas calçadas deterioradas começaram a arrumá-las, e aos poucos a violência vai diminuindo, os viciados sumiram, os catadores nunca mais apareceram e no dia de hoje, as ruas ao redor estão quase limpas. Sim, quase porque o DMLU precisa fazer uma boa varrição ao redor, mas o ambiente é outro e completamente diferente. Até mais seguro e humano, pois as pessoas andam bem mais confortáveis pelas calçadas. 
Que nossos gestores apliquem esta ideia radicalmente em todos os sentidos em nossa cidade e que intersetorialmente apliquem a “tolerância zero”. Quem sabe assim acabamos com os altíssimos índices de criminalidade que está por ai.
Parabéns Jose FortunatiSebastião MeloPaulo MarquesAndré CarúsRegina Machado e outros representantes do poder público que tanto enchi o saco para resolver o problema, agora posso dizer que a transformação para melhor começou e que continue assim sempre.
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