segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Rolezinhos em Porto Alegre nos anos 70

Fizemos muito "rolezinho" quando meninos. Matávamos a aula e íamos passear no Centro Comercial (agora chamado shopping), ficávamos por lá para matar tempo e as vezes fazíamos correrias pelos corredores. Eramos brancos, pretos, índios, pobres, muito pobres, e queríamos estar ali por ter ar-condicionado e alimentar nossos sonhos de consumo, tais como admirar aquele tênis de marca na vitrine enquanto usávamos conga e kichute; aquela roupa de grife enquanto usávamos o uniforme que eram abrigos e camisetas surrados; aqueles brinquedos que nossos pais jamais poderiam nos dar. Fomos corridos pelos seguranças várias vezes mas sempre voltávamos, estávamos ali vivenciando os primeiros templos coletivos de consumo para nos sentir bem, sonhar e confraternizar entre boas risadas. Eram outros tempos, onde não existiam redes sociais e tanta gente neste mundo. As comunidades eram pequenas e a maior parte da cidade era tomada pela classe média, ao contrario de hoje onde existem inúmeros muito ricos e milhares de muito pobres, ou seja, a sociedade de hoje é o resultado da má gestão humana de nossos governantes, que preocupam-se mais com dinheiro para sí e para os seus do que para o social. A humanidade se procria exponencialmente, inversamente proporcional ao que se planta, ao que se constrói de casas, hospitais, escolas, praças e parques, inversamente as oportunidades de trabalho e condições de dignidade. A infestação humana chega a números tão alarmantes, que o consumo de produtos de origem animal, vegetal e mineral, produzem devastação e milhões de toneladas de lixo, ainda nossos governos incentivam a natalidade pois precisa que nasçam jovens e que esses tornem-se produtivos para suprir a previdência dos mais velhos, enfim, são outros tempos em que massas gigantes de jovens que fazem seus rolezinhos nos shoppings são o resultado da total falta de controle humano provocada pela indiferença social e pela incansável propaganda capitalista que provoca o desejo do consumo em todas as classes sociais.