terça-feira, 9 de abril de 2013

Complicado é conter ânimos e exaltar os feitos.

A onda de protesto em Porto Alegre não começaram há meia duzia de dias como todos os veículos de comunicação estão divulgando, muito ao contrário, já faz mais de um ano que um grupo de pessoas anonimas dos mais variados perfis e matizes ideológicos reúnem-se em assembleias virtuais e reais para discutir os desmandos dos gestores públicos em todas as esferas de governo, o que muitas vezes acabou culminando em protestos e manifestações por todos os cantos do país.

O Brasil emergente da pseudo estabilidade econômica, mantinha-se calado enquanto o mundo recebia as primeiras informações publicadas pelo WikiLeaks, que causaram uma grande indignação mundial, e fizeram com que fossem soprados os primeiros ventos de sua Primavera Árabe na Tunísia, no dia 18 dezembro de 2010, quando Mohamed Bouazizi auto-imolou-se como forma de protesto contra a corrupção policial e os maus tratos que assolavam seu país, desencadeando uma onda de protestos por todo mundo árabe que culminaram com a queda de dezenas de déspotas que dominavam o poder há muitos anos por lá. Estas revoluções foram protagonizadas em sua maioria por jovens, estudantes ou não, que através das redes sociais conclamam seus pares a fazer a transformação de seus países.

Já aqui no país dos acomodados, o governo cooPTava todos os partidos que poderiam lhe fazer oposição, compondo um grande bloco, onde a distribuição de cargos e verbas públicas era a grande moeda de troca, sendo que o Povo Trabalhador (classe média) foi esquecido após o barbudo ter chegado ao poder. Com todos partidos debaixo de suas asas, o barbudo fez sua incursão nacional divulgando sua politica RobinHoodiana (apologia ao Robin Hood, que tirava dos ricos para dar aos pobres) distribuindo bolsa isso, bolsa aquilo, e ainda apresentava a redução de impostos sob os bens de consumo, fazendo com que todos eleitores brasileiros ficassem sob sua égide, culminando no que vemos hoje, que é um totalitarismo pela democracia.

A instabilidade interna do governo é gigantesca, pois os interesses corporativos falam muito alto e acabam causando várias movimentações das placas tectônicas compostas por empresários, agropecuaristas, religiosos e outras que acabam ocasionando abalos sísmicos no centro do poder nacional. O maior deles foi o escândalo do Mensalão, onde o presidente de um dos maiores partidos da "base aliada" denunciou a distribuição de bilhões de reais desviados de verbas públicas para parlamentares integrantes dos partidos que sustentam o governo.

Aqui na América Latina os ventos da primavera árabe já começam a soprar, e no dia 01 de maio de 2011, jovem colombianos vão as ruas protestar, e no outro dia o Império americano assassina o Osama Bin Laden, causando nova onda de protestos no Paquistão. Já a Europa vivencia uma grande crise econômica e social, e os jovens "indignados" da Espanha convocam em março de 2011 o primeiro grande protesto contra medidas de austeridade na educação do país, em seguida já marcam o próximo para o 07 de abril, e assim suscetivamente até culminar com o 15-M onde milhares de pessoas convocadas pelas redes sociais, saem num protesto pacífico e apartidário, contra o bipartidarismo que controla o país e as medidas de austeridade propostas pela Troika, apresentando lemas como o "Democracia real ¡YA! No somos mercancía en manos de políticos y banqueros".

O grito contido na garganta de cada brasileiro, não cabia mais dentro de cada um, quando numa grande movimentação nacional através das redes sociais, convocou-se o povo a sair as ruas no dia 7 setembro de 2011, primeiro em São Paulo, segundo Porto Alegre e depois irradiando por várias cidades do país. (Revista Veja). O protesto iniciou com uma marcha logo após o desfile cívico militar, espaço outrora ocupado pelo "grito dos excluídos" (movimento que sucumbiu ao partidarismo e sumiu das ruas), onde as pessoas foram chegando aos poucos com seus cartazes, narizes de palhaço, pintando suas caras, trocando ideias e logo em seguida já eram dezenas, que aos poucos iam começando a elaborar palavras de ordem e convocando o povo que assistia ao desfile a vir participar da marcha. Após a passagem dos últimos militares, centenas de pessoas saíram em coro com palavras de ordem protestando contra a corrupção no país. Neste dia aconteceu o primeiro embate entre os ativistas e as forças de segurança, pois o Exército e a Brigada Militar bloquearam a passagem dos manifestantes até que todas ditas autoridades saíssem do palanque. Depois seguiram marcha até o Monumento ao Expedicionário no Parque Farroupilha, onde em Assembléia convocaram nova caminhada para o dia 20 de setembro. Cabe salientar que neste dia logo após a marcha, aconteceu o maior encontro dos anonymous do RS. Neste meio tempo surge aqui no Brasil o movimento intitulado Frente Nacional dos Torcedores, que protestava contra a corrupção na CBF e FIFA e acabou conseguindo o afastamento de Ricardo Teixeira da presidência da entidade, e lá nos EUA a galera começava o Ocuppy Wall Stret.

No 20 de setembro, data em que os gaúchos comemoram o início de uma "Revolução" Farroupilha que tinha como objetivo combater os desmandos do Império brasileiro, que alias não foi vencida, mas que foi executada de fato durante 10 anos, os gaúchos saíram novamente às ruas para protestar contra o atual sistema político brasileiro. Tradicionalmente chove neste dia e para variar não foi diferente. Todos saíram cedo de casa, pegaram seus ônibus, atravessaram locais cheios de barro, tomaram água o tempo todo na cabeça, e mesmo assim foram valentes e protestaram caminhando desde o estádio do Beira Rio até a Usina do Gasômetro, passando antes por dentro do acampamento farroupilha, onde foram aplaudidos por todos que estavam no local.  Neste dia aconteceram outras manifestações concomitantes na Cinelândia/RJ e noutras cidades brasileiras.

Nova manifestação foi convocada para o 15.O #globalchange  (15 de outubro) em sintonia com outras centenas de cidades espalhadas pelo mundo. onde representantes de vários coletivos que começavam a dar corpo aos protestos decidiram fazer várias atividades ao final da marcha que saiu do Monumento ao Expedicionário e foi até Praça da Matriz de Porto Alegre, e combinaram também que não haveriam manifestações de partidos políticos isoladamente, porem um deles quebrou a regra e consequentemente causou um grande desgaste entre todos os envolvidos, mas que mesmo assim serviu para ampliar os debates e não ficar somente na questão da corrupção (facebook). Devido a experiência legal, o pessoal aproveitou para convocar o Occupy Porto Alegre, que teve a duração heroica de 101 dias, de dezembro de 2011 a abril de 2012, onde surgiu a grande união de todos indignados gaúchos, e as propostas de lutas conjuntas.

No inicio de 2012 houveram diversas manifestações contra o aumento da passagem em Porto Alegre, no dia 30/01/2012 somente 30 ativistas se fizeram presentes, mas só que por motivos claros não tiveram retumbância na grande mídia que lança luz somente sobre o que lhe convêm financeiramente, enquanto na Praça da Matriz, jovens participaram por três meses de intensos debates no "Ocupa Poa" mas que novamente a mídia só publicou que o lugar estava sujo e com cheiro ruim, sem publicar uma linha sequer sobre a concepção do ato em si. No dia 31/12/2012 a Prefeitura aumenta o preço da passagem para R$ 2,85 e os militantes foram pra frente da EPTC novamente protestar, e agora eles jé eram um pouco mais de 30 pessoas. No dia 06/02/2012 convoca-se novamente a população e após a divulgação do aumento o número de pessoas fica bem mais expressivo. No dia 16/02/2012 a galera vai novamente às ruas e tranca o trânsito, surgindo os primeiros efeitos na mídia omissa, e finalmente no dia 27/02/2012 o movimento alcança um número expressivo de militantes passando de 300 pessoas e é exatamente quando acontece o primeiro grande incidente entre manifestantes e as forças governamentais. Deste momento em diante acontece um racha no movimento, pois um dos membros era postulante de uma vaga no parlamento municipal, e mesmo sendo dos partidos de oposição ao governo, ele teve problemas com os ativistas que não aceitam a presença de bandeiras partidárias. Este jovem continuou sua luta individual pelo não aumento da passagem e inclusive acusa vereadores empossados, de agredi-lo após seu pronunciamento na Tribuna Livre da Câmara de Vereadores da Capital no dia 15/03/2012.

Os ativistas levaram seus cartazes levantaram as bandeiras e foram novamente fazer uma marcha contra corrupção após o desfile Cívico Militar. Alem das dezenas de coletivos autônomos haviam diversos partidos políticos, de esquerda e de direita tentando aparecer na frente das câmeras de televisão. Os militantes pagos e não, ficaram fazendo provocações aos ativistas até que acontecesse um confronto entre ambos os grupos (07/09/12). Ânimos apaziguados com a presença das Forças Militares, ao final do desfile, quando os ativistas entraram na avenida em frente ao palanque para protestar, um grupo isolado jogou bexigas com tinta sob as tropas que protegiam as pseudo autoridades, sendo que alguns foram detidos e encaminhados ao judiciário. Acontece que este ato não teve a assinatura, muito menos um documento que dissesse o motivo da ação em si, o que novamente causou constrangimento entre os ativistas.

Mesmo com o advento das eleições municipais e com os conflitos ocorrido anteriormente, os ânimos esfriam até que a Prefeitura teve a maravilhosa ideia de inaugurar mesmo antes do pleito eleitoral, o fatídico chafariz no Largo Glênio Peres, testando-o exatamente no dia em que um dos principais partidos de oposição fazia seu grande comício, molhando a militância que estava no local e principalmente as pessoas cegas, de fato, que não sabiam para onde correr (27/09/12) . Isso causou indignação e constrangimento geral em toda sociedade porto-alegrense,  principalmente nos artistas que faziam seus ensaios e apresentações no local, e que foram podados de seu direito de ir e vir, por um famigerada Lei Municipal proibiu qualquer tipo de evento naquele lugar a não ser os da grade da Prefeitura, ou melhor, diga-se os que forem autorizados à Coca-Cola.

Esta série de sacanagens governamentais provocou os jovens da cidade a retomarem as manifestações, e a primeira que ocorreu foi a "Defesa Pública da Alegria" (04/10/12) que tinha como intuito reivindicar a retomada do local para os artistas de rua, o que acabou ocasionando o segundo grande confronto entre as forças públicas e os ativistas, culminando com a guerra travada ao redor do boneco de plástico da copa. Na mesma ocasião (04/10/12) manifestantes protestaram contra a privatização do Auditório Araújo Viana, ateando fogo a um inflável promocional e bloqueando o trânsito na Avenida Osvaldo Aranha. tendo A mídia sensacionalista veiculou exaustivamente que o ato foi só para destruir tal simbolo, ou seja, fala-se o quer se falar, não o que deve ser falado. Depois deste conflito, com a chegada das férias escolares, os manifestos aconteceram novamente, só que mais timidamente.

No ano de 2013 o prefeito começa seu mandato com o pé esquerdo, pois alem de todos conflitos do ano anterior, as vultuosas e caras obras da copa do mundo começam na cidade, e no amanhecer da manhã do dia 06/02/13 a cidade amanhece com suas árvores tombadas criminalmente pelo poder executivo municipal, sem uma comunicação ou consulta prévia a comunidade, o que acabou ocasionando uma grande avalanche de protestos virtuais e reais.

Neste meio tempo começa a aventar-se a possibilidade do aumento da passagem de ônibus da capital, o que de fato aconteceu, e as redes sociais começam a borbulhar novamente e no dia 25/03/13 os estudantes fazem novo protesto na frente da PUC, trancando o trânsito da Avenida Ipiranga, e nisso houve mais um conflito com as forças de segurança. Este conflito exaltou os ânimos e um novo protesto aconteceu no dia 28/03/13 na frente da Prefeitura, só que desta vez o protesto estava em altas temperaturas, e um secretário municipal tentou abrir um dialogo com os jovens o que acabou gerando uma grande confusão e um grande quebra-quebra no prédio da prefeitura. Novos protestos aconteceram no dia 01/04/13 e no dia 04/04/13 quando uma liminar suspendeu temporariamente o aumento da passagem.

O prefeito da capital que outrora fora líder do movimento sindical e dos sem terra, desaprendeu a fazer política, dando espaço somente para soberba, pois suas declarações públicas são sempre raivosas e demasiadamente sem razão, pois dizer que as arvores não são utilizadas pela população é o maior erro que qualquer gestor público pode expressar, ali ele conseguiu enforcar-se nos próprios galhos que ele autorizou a cortar.

A união dos ativistas continuará até que o Brasil acorde para o que ocorre em seu poder político central, esse sim é um fato que o país tem que se preocupar, hoje é a prefeitura, amanhã é o país.

Como o Robô dos Perdidos no Espaço dizia, "perigo, perigo, perigo..."
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