sábado, 24 de dezembro de 2011

madrugada insólita

Que estranho mistério é este que se esconde por detrás daquele som que insiste em tocar nas madrugadas, com ele vem aquela mensagem que fica na retina daquele maldito aparelho que insiste em me torturar, aquela luz que ascende entra no meu ser e abre as janelas da insegurança, onde rondam fantasmas imaginários, causando um alvoroço de adrenalina  ao invés do torpor necessário ao meu sono.
Insone rodo meu corpo no mesmo lugar, tentando contar carneirinhos, anjos e outras formas que façam meu pensamento furtar-se daquela imagem estampada na tele daquela caixinha cheia de botões.
O que será que está escrito ali, quem será que enviou, será algo que me ameaça ou simplesmente uma pequena lembrança de carinho de alguém naquela época carinhosa do natal.
Minha mente ebuli nas mais altas temperaturas, pois no cotidiano creio na verdade e no que ouço, mas o toque sutil sentido a noite me atormenta mais que qualquer dor física. O sono alheio parece tranquilo, e como anjos sonham tranquilamente noite adentro, enquanto isso me giro incessantemente no meu canto do leito, mas isso não é o suficiente para descansar minha mente está fértil demais para estar recostada confortavelmente no travesseiro. Necessito caminhar, beber alguma coisa, ver televisão, desvirtuar meus pensamentos para algo mais positivo ao invés dos tormentos que insistem em provocar ciúmes, ira, desconfiança, e o pensamento de que o futuro pode ser ainda mais atormentador.
Fujo do que é prático, pego aquela caixa pandorica onde me resta somente a esperança de que seja um ledo engano alheio. Chamo sua dona no meio da noite e comunico que aquelas palavras estão ali, e pandora está em viajando em seu olimpo com outros seres mitológicos que atordoam minha mente. A atitude de indiferença aliada a uma certa dose de receio, aumentam exponencialmente e daí sim minha noite vira um tormento.
Vou para outro canto, e tento relaxar, vejo aquele filme com o título “o amante” e cada instante parece um século há mais ser dormir. Pela fresta da janela começam a brilhar fagulhas de sol, que vem acompanhadas do gorjear de pássaros citadinos. Pandora em sua inspiração divina vem me presentear com seus deliciosos lábios, confortando-me e trazendo o alento que tanto necessitei naquela madrugada de pensamentos nada agradáveis.
O dia segue, e o cansaço toma conta do meu ser. É ante véspera de natal e os sentimentos bucólicos são somatizados àquela noite insone, e minha mente continua a lucubrar sobre o que estaria escrito na caixinha de pandora, até que chega o momento de perguntar, e vem a resposta de que não passara de uma mensagem dizendo que não coubera tudo que haviam lhe escrito.
Mesmo descobrindo o que estava lá, a mente ainda lembra de mensagens recebidas em madrugadas passadas, de pessoas incomuns ao dia-a-dia comum entre o mortal e a deusa portadora da caixinha, e a busca por conforto ainda aflige a mente daquele descrentes que deveria seguir cegamente sua deusa. Mas como fazer isso se ela traz consigo a volúpia que atrai olhares do outros mortais, se ela tem consigo a gentileza angelical que inebria outros como ele.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Revoada

a primavera terminou, é hora das aves migrarem para novas terras
e a revoada das demais aves parte rumo ao incerto, ao desconhecido
e te convencem que tua segurança é estar entre a revoada (bando) em direção ao nada
pois o bom mesmo é correr riscos, estar a disposição de predadores
onde feras e caçadores estão a espreita da primeira presa ou caça que surgir

vai passarinho, vai de encontro ao teu destino, à novos ares, cheiros e amores
pois o velho pássaro que não troca mais as plumas, ficará aqui a espera de um novo começo
pronto para reencarnação dos seres, onde a evolução migrará minha alma a um corpo humano
e um dia, ao retornares a lagoa da existência
verás aquele homem evoluído e lembrarás dos dias felizes de outrora
e que cada dia a beira da lagoa da existência, foram dedicados unicamente àquela ave,
que preferiu a revoada ao aconchego do velho pelicano