quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Confissão aos Navegantes

foto tremida que tirei junto a imagem de N.S.Navegantes
Tem dias que parece que tudo vai acabar, e que não vamos conseguir nem sequer subir um degrau de escada, e mesmo parecendo que o universo esta contra você, acontecem coisas que te arrebatam para cima e mostram que nada é em vão, e que a fé, tradição, legado e a honra herdada de seus antepassados, sempre estarão junto a ti, através de dos dogmas ensinados de geração a geração.

Hoje tinha duas consultas médicas, uma com o reumatologista, para ver o motivo de certas dores que tenho sentido (vocês vão dizer que é velhice, e eu vou confirmo, hehe) e a outra para um exame mais aprofundando e uma possível extração de carnes esponjosas. Pois é, o dia não estava nada agradável, pois sofrer de mais de uma moléstia, não é nada fácil, ainda mais com o calor que esta fazendo hoje em Porto Alegre.

Almocei e no caminho para a primeira consulta, passei na frente da Igreja do Rosário, e avistei que a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes encontrava-se ali. Tomado de emoção, pela lembrança da devoção de minha mãe, avó e outras tantas pessoas, entrei e fui orar um pouco.

Fui a consulta e encontrei uma médica gentil e qualificada o qual solicitou uma bateria de exames e solicitou meu retorno posterior. No retorno ao escritório resolvi voltar a Igreja, pois algo me chamava para aquele lugar. Desta vez ao entrar sentei-me confortavelmente perto da imagem onde fiz uma alto regressão em todas gerações que se sucederam antes de mim, e que adoraram aquela imagem estática. Na viagem de minha mente vieram todas as bençãos e milagres que aconteceram com todos, principalmente os de minha mãe. Fui tomado de emoção e numa linguagem diferente, minha mente conversou com as forças extra corpóreas do meu ser. Após meu encontro com o passado ia me retirando da igreja, quando avistei um padre de branco, conversando com uma moça emocionada, e vi que ao redor daquela porta encontravam-se outras pessoas no aguardo. Sai da igreja em direção ao trabalho, quando meu ser resolveu voltar e perguntar se estavam aguardando para se confessarem. Com a confirmação, resolvi ficar e cumprir com o rito dogmático da confissão.

Esperei por algum tempo sem saber o que eu ia fazer, nem o que eu estava fazendo ali, pois mesmo sendo católico, nunca cumpri este rito como ele deve ser. Lembro que na primeira comunhão, crisma e unção dos enfermos, sim, unção dada a quem tá com o pé na cova, o qual recebi na época do meu acidente de moto, onde fizemos uma confissão silenciosa e coletiva.

Desta vez era diferente, pois estava aquele cara de roupão branco conversando com pessoas estranhas e sabendo de seus segredos mais íntimos. Ao final de cada visita, o sujeito postava sua mão sob as cabeças de seus visitantes, e as pessoas transfiguravam de suas faces tristes em fisionomias suaves e alegres. Chegou a minha vez, entrei trêmulo sem nem mesmo saber o que falar, a pessoa que me recebeu foi cortês e pediu que eu entrasse e me sentisse a vontade. Nossa, que sufoco, pois eu tava ali na frente do Padre enfrentando toda uma sociedade moderna que condena esta prática. Comecei a falar da minha longa ausência frente aos guias espirituais de minha religião, e que ao longo de minha vida fiz muitas coisas boas e ruins. Achei que teria de dizer que matei passarinho, que atirei pedra no gato, que odiei a pessoa que me machucou, emfim, o pavor do enfrentamento era extremo. Quando vi já havia feito um resumo de minha vida em pouquíssimas palavras, e a pessoa na minha frente, sorriu e perguntou meu estado civil, se tinha filhos, ou se tinha ao menos um relacionamento fixo. Contei minha realidade e a pessoa com muita tranquilidade me aconselhou como um pai aconselha um filho. Nossa! Um analista gratuito e muito sapiente, sem as paranoias convencionais dos profissionais da saúde mental. O cara me ouviu, me aconselhou e ao final, com o poder transferido por seus antepassados cristãos, abençoou-me e perdoou-me de meus pecados mundanos. Nossa, senti minha face transfigurar-se como das pessoas que me antecederam naquele lugar. Eu sai extasiado de alegria e precisava agradecer de alguma forma a sensação maravilhosa de leveza que eu estava sentindo, por ter estado naquele lugar, com aquela imagem, aquelas pessoas. Comprei uma vela e ofereci em meu nome e de meus irmãos, e de todos nossos antepassados.

Aconselho todos a abdicarem de seus falsos pudores, preconceitos, e falsas morais, e visitarem o santuário com a imagem. Ao chegarem lá, abram seus corações para o perdão aos erros alheios cometidos contra você, e também aos seus próprios erros, e peça iluminação aos seus caminhos, pois com certeza serão perdoados e terão muitas bençãos em sua vida.

Obrigado Nossa Senhora dos Navegantes, quarta-feira farei o possível para estar presente ao périplo de seus devotos ao longo dos anos.

Um comentário:

  1. Obrigado por visitar meu blog. Eu lembro dos Porcos de Escorte. Lembro que o cara tirou a roupa. E no começo usaram fogos de artifício, se não me engano. Você lembra em que ano foi aquilo? Eu às vezes fico em dúvida.

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